Histórico

Em 2002, estávamos há alguns anos, tentando reaquecer o movimento por mudanças nas políticas públicas de atenção à saúde mental no Amazonas: reativação da Associação Amazonense de Psiquiatria; promoção de seminários e jornadas em que, além de outros temas voltados à saúde mental, discutíamos a implantação da Reforma Psiquiátrica em nosso Estado; participação na criação da Comissão Estadual de Saúde Mental e do Movimento de Luta Antimanicomial.

Nossa insatisfação com a permanência apenas de discursos, mobilizou-nos para o início de um trabalho voluntário voltado à desospitalização das pessoas abandonadas (algumas há mais de 40 anos) no único hospital psiquiátrico da cidade de Manaus. Compreendíamos que a criação das Residências Terapêuticas (dispositivo previsto na Reforma Psiquiátrica) poderia alavancar o processo de mudanças, sem o qual permanecemos todos devedores para com aqueles que vivenciam o abandono em manicômio, por ser uma pessoa com transtorno mental.

Até junho de 2012, as respostas a todo esse esforço foram pouco significativas e são inexpressivos os avanços da Reforma Psiquiátrica local: até hoje as residências terapêuticas não foram criadas e, dentre os demais dispositivos da rede assistencial, na cidade de Manaus, contamos apenas com três Centros de Atenção Psicossocial:

•O CAPs Silvério Tundis, criado pelo estado como tipo III, na verdade funciona como tipo II, não conseguindo cumprir as exigências de RH e equipamentos, para garantir um pleno funcionamento noturno;

•O CAPs Sul, unidade do tipo II, localizada no Bairro Cachoeirinha, inaugurada pela Secretaria Municipal de Saúde;

•CAPs i , unidade tipo II, localizada no Conjunto Acoariquara, implantada pela SEMSA em abril de 2012

Em certo sentido, nossa luta política parece ter recuado.

Mas avançamos muito, através de transformações pessoais e intelectuais, em nossa convivência e compromisso com as pessoas com sofrimento mental, além de outras com as quais passamos a nos relacionar em nosso percurso: nós nos importamos, realmente, com essas pessoas e não as abandonamos ao longo da caminhada.

Contamos hoje, com um aprendizado que nos permite oferecer uma sistemática de trabalho voltada ao Encontro com o Outro, possibilitando o exercício da cidadania de todos nós e, assim, a inclusão social dos que sofrem intolerância e preconceito no todo de uma sociedade individualista e valorizadora do ter – e nós desejamos e queremos contribuir para a construção de um mundo que valorize o ser.

Temos, então, a satisfação de colocar à disposição de vocês, a Tecnologia Social Encontro, fruto de todo esse processo. Ao fazê-lo, compreendemos que o recuo em nossa luta política foi apenas aparente: esta Tecnologia poderá ser de ampla utilidade nas políticas públicas de saúde mental e inclusão social.

O que é a Tecnologia SOcial Encontro (TS)?

“(…) produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas em interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social” (Ministério da Ciência e Tecnologia).

Como surgiu a TS Encontro?

Através da consolidação gradativa do Programa Encontro – iniciado em 2002 no Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro (CPER), em Manaus-AM.

Qual o objetivo da TS Encontro?

Desenvolver ações educativas e terapêuticas voltadas a pessoas que vivenciam situações de risco ao exercício da cidadania, estimulando a participação social na busca de soluções para problemas coletivos e, deste modo, contribuindo para a transformação da realidade rumo à construção de uma sociedade inclusiva.

Onde a TS Encontro foi aplicada?

•No Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro – de 2002 a janeiro de 2012;

•No Bairro da Chapada, uma comunidade urbana de Manaus localizada no mesmo território do CPER; no período de xx a xxComunidade urbana/Manaus/AM);

•Na Região do Marau – Comunidade Indígena Sateré-Mawé /Maués/AM).

Quais os resultados alcançados?

No CPER: Maior autonomia dos internos; menor incidência de crises; melhoria da socialização; metodologia de ensino específica; criação da primeira cartilha sobre TS Encontro.

Na Chapada: Inserção social de uma ex-interna do CPER; diagnóstico biopsicossocial da comunidade; espaços de discussão e construção participativa de soluções para demandas emergentes; grupo de teatro com 20 crianças da escola local.

No Marau: Pesquisa-ação sobre álcool e outras drogas entre os Sateré-Mawé, com construção participativa de uma cartilha; participação anual do ISAT nos dois Encontros Pedagógicos de Professores Sateré-Mawé.

Qual a importância da TS Encontro?

Construir caminhos que possibilitem a re(inserção) de pessoas e grupos, habilitando esta tecnologia para contribuir com as políticas públicas de saúde e de inclusão social.

Formação continuada:TS Encontro

Através do Núcleo de Formação e Supervisão – NUFS, o ISAT oferece serviços de qualificação de equipes para reaplicação da TS Encontro em contextos diversos e assessoria técnica em políticas públicas de saúde mental e de inclusão social.

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